Hoje eu resolvi ser sincero. Não que normalmente eu não seja, mas hoje decidi chegar ao extremo. A vida tem pedido isso. O nosso dia a dia está se tornando uma novela, obra de ficção. Ninguém mais consegue ser verdadeiro. Nos escondemos atrás de máscaras, do politicamente correto. Vivemos em função do que os outros pensam, e não mais em razão daquilo que gostamos, que preferimos, que escolhemos.
A sociedade atual está se tornando em um grande elenco de personagens. Nossas falas são decoradas, nossos gestos são ensaiados, até os nossos pensamentos, antes impenetráveis, agora podem ser manipulados. Onde vamos parar?!! Nós arrumamos pela manhã preocupados com a maneira que os outros nos verão. Compramos nossos carros na intenção de sermos invejados pelos amigos. Até no amor, pasmem, deixamos nos guiar pelo tal "pensamento coletivo". Tenho que amar uma mulher que atenda o padrão mundial de beleza. Dane-se se ela é egoísta, invejosa, falsa ou dissimulada. Ela é linda, e isso é o que importa.
Neste exercício de sinceridade eu não passei vontade. Respondi ao cumprimento da vizinha dizendo o quanto ela é fofoqueira. Gritei ao leiteiro que não suporto mais o leite aguado e caro que nos vende. Deixei bem claro ao meu chefe que ele é sim um chato e que os projetos não serão bem sucedidos enquanto ele se manter extremamente teimoso. Desestimulei um amigo, interessado em entrar na política, citando exemplos de pessoas íntegras que foram contaminadas pelo poder.
Mas fui sincero também, e principalmente, para o meu eu. E essa é a parte mais complicada. Disse à ele, ou a mim, que não sou tão legal assim quanto parece. Em grande parte do tempo sou chato e ranzinza. Inumerei diversas pessoas de quem eu falo mal, ou até desejo mal. Contabilizei as situações em que esse eu poderia ter agido diferente, mas não agiu, preferindo ficar em sua zona de conforto, ao invés de mudar uma situação ou, até mesmo, salvar uma vida.
Posso confessar? Isso me fez tão bem, que eu recomendo. Seja sincero, principalmente contigo mesmo.
Boa noite.
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